polacodabarreirinha

Poesia, música, gracinhas e traquinagens

segunda-feira, fevereiro 09, 2009




enterrem meu coração na curva do rio



a água desse rio
volta e meia passa
pela minha vida

reconheço, o fio,
que nos une, a faca
que corta para que siga

nunca é fim de sede
o que anuncia
mas guarda-chuva

gravidez de verde
pão nosso de cada dia
logo após a curva

se é água funda
não sei e tenho raiva
de quem sabe

mas a lâmina corcunda
é bom que saiba
da ferrugem e do zinabre

pois desse rio
conheço a pressa
como a minha palma

e, sagrado, o rito,
este jamais cessa,
somente salva

benigna a origem
tem sempre a mesma água
o enigma da esfinge

e é dessa água o gosto
da lágrima que leva e lava
a alma no meu rosto



antonio thadeu wojciechowski

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