polacodabarreirinha

Poesia, música, gracinhas e traquinagens

segunda-feira, março 16, 2009


ESCARROS BANAIS

Pela escada ele ia
e um escarro descia
sem querer não sabia
sem saber pra onde ia
pela escada subia
e um escarro descia
na cabeça acertava
na cabeça grudava
e ele apenas pensava
sem saber onde estava
sem saber se limpava
o escarro passava
alcançava a testa
o momento detesta
nada mais lhe resta
a escada não presta
o caminho é o mesmo
o destino é o mesmo
a bater o cartão
enriquecer o patrão
e mesmo sabendo
que estava perdendo
continuava correndo
e só se fudendo
no bolso não tendo
dinheiro nem lenço
nem porra nenhuma
ele tomava uma
com escarros banais
pois um a mais
que levar não faz
diferença agora
a miséria namora
a miséria o adora
ele detesta miséria
nunca tira féria


quando a barra lhe pesa
esse cara só reza
dando a outra face
comendo alface
que sobra da feira
de qualquer maneira
ele adora isso
ele vive nisso
não sonha alto
semeia no asfalto
não é humano
portador de pano
vagando na praça
como sua raça
de vagabundos anônimos
ou outros sinônimos
que constroem o país
isso alguém lhe diz
lhe oferecendo pão
ele diz que não
o escarro desceu
hoje ele já comeu

Sandro Luiz Querino
a

1 Comentários:

Às 16 março, 2009 , Blogger polacodabarreirinha disse...

Encontrei o Sandro, não lembro onde, só sei que eu estava com o Cláudio Fajardo, diretor da Biblioteca. E o cara descascou esse poema, que parece ter sido feito em homenagem ao Comedor de Ranho. Pedi pra ele uma cópia, isso há uns 5 anos, mas ficou perdida no meu computador. Hoje, sem querer, dei de cara com ela.

 

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