polacodabarreirinha

Poesia, música, gracinhas e traquinagens

segunda-feira, setembro 29, 2008


O ALBATROZ


Muita vez, por não ter o que fazer, marujos
Pegam um albatroz, nômade ave marinha,
Que traz um pouco de alegria aos ditos cujos
e ao navio que, sobre abismos, quebra a rotina.

Nem bem o põem no chão, sobre as tábuas molhadas,
O rei do azul do céu, sem graça e desengonçado,
Deixa cair suas asas que, imobilizadas,
São arrastadas tal muletas ao seu lado.

Que figura! Como um palhaço interagindo,
A ave divina fica muito cômica... Ei-la!
Um a aborrece pondo em seu bico um cachimbo;
Outro, por imitar um manco que coxeia!

Sou poeta, sou como esse príncipe do ar,
Que enfrenta a tempestade e ri da flecha a voar,
Mas com os pés no chão, em meio à plebe rude,
Também quis abrir asas e voar, mas não pude!


Charles Baudelaire

Livre adaptação de Antonio Thadeu Wojciechowski

8 Comentários:

Às 29 setembro, 2008 , Blogger Paulo Ugolini disse...

Muitobom! E apropriado...

 
Às 29 setembro, 2008 , Anonymous flavio scoretto disse...

Toda a postagem de hoje está no mais alto nível. Uma das grandes alegrias da minha vida é ser seu amigo.

 
Às 29 setembro, 2008 , Anonymous Anônimo disse...

Thadeu, vc não é fácil, aproveitar um dia de folga pra fazer maravilhas, quem me dera!
Abraço

Chico do Pudim

 
Às 29 setembro, 2008 , Anonymous nelson frömmer disse...

Já li outras traduções desse poema do meu poeta preferido, mas nada que se compare a essa pérola. É por essa e por outras que estou sempre por aqui.

 
Às 29 setembro, 2008 , Blogger Ivan disse...

Thadeu: tua tradução está ótima!

Mas... eu prefiro um arremate com o verso mais marcado, alexandrino:

As asas de condor impedem-no de andar!

(acho que foi assim que o Ivan Junqueira fez, então fiquei suspeito pra falar...;)

De qualquer modo, recriar poemas assim sempre é bom, porque multiplicam-se os prazeres da leitura.

 
Às 29 setembro, 2008 , Blogger polacodabarreirinha disse...

É isso aí, Ivan e Paulo. Meu cérebro já nem pisca, em qualquer terreiro, meu cavalo cisca.

Saudades de oceis.

Thadeu

 
Às 29 setembro, 2008 , Anonymous Anônimo disse...

Puta que pariu, que tesão de poema!

Paulo Contini

 
Às 29 setembro, 2008 , Anonymous Anônimo disse...

Lindo, lindo, lindo.

Jackson Paralelo

 

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