polacodabarreirinha

Poesia, música, gracinhas e traquinagens

segunda-feira, setembro 12, 2005


Vc já tem vários poemas solos. Quando sai o primeiro livro do Ivan Justen?

O negócio é que ultimamente tenho me sentido feliz blogando poemas, traduções, textos em geral: e assim eu acabo desovando uma produção poética que circula independente do suporte livro. Mas claro que um dia beberei dessa água, entrarei nesse mercado editorial caótico de sola: só não sei quando... Enquanto isso, blogo.

De que forma vc se relaciona com a música e como você diferencia letra de poema?

Essa pergunta é ótima, porque evidencia um dogma que tem que cair, na minha opinião: a música e a poesia (e as imagens) se atravessam, se entrecruzam o tempo inteiro, estão intimamente ligadas todas as artes.
Só que os literatos que estudam os provençais do século XII, lêem sonetos de Camões, e mesmo os que entendem Homero e os tragediógrafos gregos no original, relutam em admitir que ali também tinha música, imagens, elementos cênicos, teatro, enfim...
A canção, a letra da canção, os cantos da palavra, fogem, vazam dos escaninhos da crítica: então o cara que se especializa em livros e literatura, lê alta poesia, tipo Dante, Shakespeare, Cervantes, Dostoiévski, Thomas Mann, Joyce, (isso agora é importante: atenção): o cara que se especializa demais nisso e não entende nada de música, não sabe nada sobre fotografia, não vai ao cinema com freqüência, não estuda outras artes, esse cara não entende mesmo o que é poesia.
Quem se interessa por todas as artes sabe que um poema pode virar letra de música, uma canção pode ser interpretada numa peça de teatro, não há como separar, definir e catalogar tudo perfeitamente.

Ivan, vc é mestre em literatura pela USP, o que pretende fazer com esse título e com todo o seu potencial para estudo de línguas?

O caminho natural é dar aula em nível superior. Pretendo concluir um doutorado e quem sabe lecionar nalguma dessas instituições que felizmente estão proliferando: potencial é uma palavra-chave, por que na verdade, apesar de “todo o meu potencial”, ainda sou um grande ignorante se for comparar com um Harold Bloom, um Alfredo Bosi, um Paulo Leminski...

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