polacodabarreirinha

Poesia, música, gracinhas e traquinagens

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Eu e mamãe mandamos a todos um feliz ano novo!








que tudo evolua
a minha
a tua
o nosso lugar na lua
o nosso luar no mundo da lua
a
a
thadeu w





sábado, dezembro 27, 2008




Pra terminar o ano, deixo aqui algumas imagens do dia 24 de dezembro, quando completei 58 anos. E a letra da canção que cantamos até a garganta fazer bico. Mas nada como relembrar as coisas boas do ano. Faça uma viagem muito louca clicando aqui ou aqui ou em qualquer um dos links ao lado. Tem postagem pra mais de milha. Até sei lá que dia de janeiro de 2009. Comam bem, bebam melhor e comemorem. Afinal, a vida não tem replay.



último dia da paixão


se eu morrer amanhã
que eu esteja bem vivo
a garrafa vazia na mão
e a lembrança esquecida
de uma paixão

o olho seco por lágrimas
se umazinha só
a menor das menorzinhas
vazar do olho
inaugura um oceano

(thadeu, walmor, magoo e renato)


Cláudia e Ale, meu primogênito.

Momento larica: Catarina, Rita, Edson, Priscila e Bira
mandam brasa no sorvete.

Cláudia e Mamãe. Mais de 100 anos de beleza pura.

Eu e uma parte da nova geração da família. Eita gente legal!



A mãe, como sempre, deu aquele show de declamação. Mandou meia dúzia de poemas do Augusto dos Anjos e do Cruz e Souza e levou a galera ao delírio.

Walmor, Magoo (costas), eu e Renato, comemorando meus 58 anos. E, para variar, compomos algumas pérolas, que cantamos à exaustão.

Natal na casa de meu cunhado Carlos e da Líbia: meus irmãos Peri, Líbia, Rita, Jane, Mamãe, Calina, cabeça do Francisco, Papai e eu.




Curitiba é um copo vazio cheio de frio disse...
a
a
Ei, Polaco!
a

Faz propaganda aí do Lingua Madura:
a
a
http://www.myspace.com/linguamadura
a
a
Comemoremos! Ontem repassei com o Octavio e estamos com o 4o disco pronto "Acabou o fim do mundo". É o melhor de todos, com as canções mais maduras de nosso convívio triangular.

a
Bjo gigante,

a
Bárbara
a
a
PS. Não liga não, Comedor de Ranho. É só começar o ano que todo mundo volta a viver a mesma meleca de antes ... Promessas de fim de ano servem apenas pra aumentar o mal-estar dos indivíduos.

27 Dezembro, 2008
a
a
a

sexta-feira, dezembro 26, 2008



boas festas


tens uns caras doidão pra caralho
que estão ficando loucos mesmo
começaram a falar em saúde
em se centrar no trabalho
em organizar pensamentos e atitudes

eu gostaria de aproveitar o clima de natal,
ano novo e tal
para mandar todos de uma vez
em bom português
à puta que os pariu

onde já se viu
jogar uma merda dessas na minha cara?
que papo é esse, play boy?
só não peguei meu revólver
e saí recheando bucho com chumbo grosso
porque os alvos estavam todos duplos

e eu tive que dar uma pausa
pra vomitar o almoço

comedor de ranho



quinta-feira, dezembro 18, 2008

aa

aa
poema pré-repouso
a
a
ontem à noite fiquei comovido
um poema de Manoel de Barros tem esse poder
me jogar pra cima e fazer que emoções aflorem

fora isso, não preciso mais nada nesta vida
mentira da grossa
talvez um bom vinho possa fazer parecer melhor
o que já está de bom tamanho

perdi as medidas
já não sei quanto é pouco
quando muito
enquanto mais ou menos
mulheres encheram meus olhos de delicadezas
e poetas, de visões

a
nada a fazer agora que é depois
meu coração é grande mas não é dois
a

a

a
thadeu w
a

a

a

quarta-feira, dezembro 17, 2008




Até semana que vem!


a
Amigos, foi um ano duro pra caralho. Mas já está na rampa de lançamento. E que vá com Deus! Estou parando por alguns dias. Portanto, até terça-feira que vem!


a

Abraço a todos


aThadeu




E pra que a gente não esqueça que no próximo dia 22 fará 20 anos da morte de Chico Mendes e que o assassino está solto, deixo este poema que escrevi junto com o Marcos Prado e o Bira.


achico mendes

Cabeça, tronco e membros fazem um homem,
assassinos, juízes, demônios e santos -
seres - vivos os contrastes: peso, medida, cor.
Mas um homem não é apenas um mero nome,
isso todos têm e os títulos são tantos,
que, em essência, a diferença está mesmo no amor.

Amar é conhecer o chão em que se pisa,
sabedoria que brota pela profundidade das raizes
e vai de coração a coração prestando benefícios.
O sol, por exemplo, com sua irradiação precisa,
entre luz e sombra, matriz de todos os matizes,
sobre tudo brilhando, bons e maus, virtudes e vícios.

Uma Amazônia não cabe apenas num poema,
só mesmo um Deus para defini-la ao certo,
ou um homem que Dele se aproxime e dela faça parte.
Alguém que não prede o seu próprio ecossistema,
pois sendo planta, peixe ave, bicho e não deserto,
sabe que reside dentro de si, intacto, o seu habitat.

Fora, longe do equilíbrio que a tudo regenera,
estão os que só vêem lucro por toda a mata,
com suas armas de fogo, machados e motosserras.
É necessário, aqui, definir o que realmente é fera:
de um lado, aquela que mata na medida exata;
do outro, a que perdeu a noção do que são essas terras.


Chico, incorporado ao espírito da floresta,
não sente mais as balas que lhe atingiram o tronco
e hoje vive como nunca entre gnomos e duendes.
É que a sua vitória régia é a que nos resta
até que seringueiros e índios ensinem ao homem bronco
o que significa para o mundo a Amazônia e Chico Mendes.


thadeu w, marcos e bira
a
a
a

terça-feira, dezembro 16, 2008


Marcos, Eu e Cobaia.
Na época, com 33, 44 e 22 anos respectivamente.


Alua, eu, Paola e Ale. Faltou o meu filho Kevin que está no Japão.
Todos fãs do Marcos Prado.

Eu e Marcos Prado indo para Superagüi.
a
a
a
A vida é esse amontoado de imagens
que cabe num fundo de gaveta.
Algumas, mesmo revendo, você não se lembra;
outras, só de ver, te fazem viver outra vez.


Deus é grande mas não é dois?

Que poeta já não entrou com os dois pés no peito desse assunto? Muito antes da física das micro-partículas e da Teoria do Caos, os bardos já intuíam a extrema desordem do mundo, em ordem. Um buraco negro no raciocínio mais elementar atraindo o quê mesmo?
Bons tempos aqueles em que nos bastava um velhinho de bata, barbas brancas e um triângulo sobre a cabeça, com forma e emoções humanas. Mas, hoje, como bem disse Marcos Prado, já sabemos que a Terra não é o centro das atenções do universo. Portanto, que Deus nos ajude!

a
a
deus algum
indu
ogum
vishnu

precisa
de tua prece

tua pressa
pessoa
só teu pulso acelera

você padece
padecer te resta

tudo um belo dia desaparece


(paulo leminski)





olho d’água
a
a

você vê Deus
você chora

é pela beleza
que entra em si
ou pela lágrima
que evapora?

( roberto prado )
a
a
a

deus é justo
mas não é apertado


( solda )
a
a
Ubigüidade

Estás em tudo que penso,
Estás em quanto imagino:
Estás no horizonte imenso,
Estás no grão pequenino.

Estás na ovelha que pasce,
Estás no rio que corre:
Estás em tudo que nasce,
Estás em tudo que morre.

Em tudo estás, nem repousas,
Ó ser tão mesmo e diverso!
(Eras no início das cousas
Serás no fim do universo.)

Estás na alma e nos sentidos.
Estás no espírito, estás
Na letra, e, os tempos cumpridos,
No céu, no céu estarás.

(manuel bandeira)
a
a
a

todos os lugares a deus


a idéia que eu tenho de deus é abstrata
toco no assunto sem saber do que se trata
é difícil ser sem querer o que se quer ser
é besteira ter que querer ser o que se tem que ser

deus me livre e guarde da galhofa terráquea
apela para a ignorância o ser de alma macaca
não ao sim que tem em si o tom do não
sim só ao som com o dom do bem e do bom



(antonio thadeu wojciechowski e marcos prado)

a
a
a
Por Um Deus Ateu

se Deus existe mesmo
eu sou a rainha da Inglaterra
como pode querer ser supremo
um Cara que tanto erra
e parece nem estar aí?
até o céu devia ter um limite
se um Deus tem que existir
então voto em Nietzsche:
que Deus passe a ser pecador
que o malfeitor possa ser justo
o homem Seu redentor
e o juiz seu próprio verdugo.

(sérgio viralobos)


Deu Deus


“Deus é uma vitória do Ego sobre a realidade.”
( Sigmund Freud )

Se fôssemos medir o custo-benefício
de ir à igreja num domingo de manhã
não sobrava nem o padre pra Cristo.
Por que todo fiel tem cara de tantã?
Maria engravidou da forma mais difícil,
nem porisso deixei de ser seu fã.
Só um judeu falou-O e disse-O,
Ó Senhor de Maomé, Ogum, Jeová e Tupã,
Teus nomes se espalharam como um vício.
Pessoa que tem juízo não morre pagã ?

(antonio thadeu wojciechowski
e sérgio viralobos)
a
a
a


Quem me rotular perde a rótula!
a
a


Formação de quadrilha:
Eu, Ivan Justen, Tavinho Paz, Ferreira, Chacal, Mário Bortolotto,
Rodrigão e Samuel, na GGG.

segunda-feira, dezembro 15, 2008


Poema de Marcos Prado com lay-out do seu cunhado Solda.



ELDORADO



playmate elegante
pro galante cavaleiro negro andante
no brilho do sol assombrado
aguirre + eldorado

cresceu velho o cavaleiro
a sombra chegou como veio
e nenhum pedaço de chão prateado
pareceu-lhe com eldorado

quando a distância brochou a força
encontrou peregrina sombra
morena - disse ele encarnado -
onde fica essa tal eldorado ?

montanhas de lua acima
vales da sombra abaixo abisma
cavalgue audaz pelo prado
se você procura eldorado

Marcos Prado e Sérgio Viralobos

( Livre adaptação do poema de Edgar Allan Poe)

Aí vai um conto inédito do Marcos Prado.


Futebol de botão


- Não pode mais mexer, ladrão, salafrário!
- Eu não mexi.
- Mas pensou, ladrãozinho, eu sei que pensou, metido a espertinho.
- Chuta logo.
- Você falou "chuta logo"? Não acredito no que estou ouvindo. Vou fingir que não ouvi. Chutar...chuto tua boca, boca de burro!
- Mas, eu só quero que você...
- Entendi! Quer me tirar a concentração, me irritar, pirralho? Te quebro as duas pernas! Enterro no teu rabo esses botões encardidos! Enfio a trave no teu olho, piá de bosta!
- Tá bom, pode demorar quanto quiser. Eu espero.
- Veja, olhe bem pra mim, eu estou tremendo, você me tirou do sério. Isso não vai ficar assim, banana compreensivo! Porco paciente de uma figa!
- Calma, é só um jogo, se você errar tudo bem...
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
Ele virou a mesa, fazendo voar botões, cancha, cinzeiro, copos, tudo. Tremia agora dos pés à cabeça, bufava palavras desconexas, seus olhos ficavam vermelhos e estalados, seus cabelos com uma estranha eletricidade.
Pegou uma cadeira e esmagou o aparelho de som do deck. Jogou um vaso na tela da televisão. Atirou o vídeo contra o vidro, que se espatifou na calçada.
O outro principiou a sua fuga desesperada pela sala, pulando móveis, desviando dos objetos pesados e pontiagudos que vinham em sua direção, aos gritos.
Conseguiu sair e fechar a porta da sala, imaginando que era o barulho da cristaleira desabando com estrondo lá dentro. Subiu a escada e foi para o seu quarto, se escondeu debaixo da cama.
Ele o seguiu e quebrou todo o quarto. Curiosamente não tocou na cama.
Ficou aliviado quando o viu saindo e fechando a porta. Mas 2 minutos depois, ouviu o ranger do soalho, passos, uma gargalhada macabra. Logo depois, som de muito líquido caindo sobre a cama e o estalar de um fósforo. Nova gargalhada.
Berrando, com a camisa em chamas, conseguiu driblá-lo no meio da fumaça, descer a escada e se esconder na área de serviço. Logo ouve urros na cozinha:
- Onde você está, cachorro? - Barulho de geladeira no piso. - Pensa que pode fugir, porco traidor? Agora o fogão.
Silêncio, de repente. Ele o vê se esgueirar entre os varais, com a frieza dos psicopatas. Estava cercado. Ele, com o botijão de gás levantado acima da cabeça, se aproxima lentamente.
Nesse momento, uma voz de mulher interrompe a cena:
- Será que nunca mais vou ter paz nessa casa, depois dessa maldita copa do mundo? Júnior, vá escovar os dentes!
Quanto a você, Carlos Alberto, hoje dorme no sofá.

Marcos Prado

a

a


Edilson, Marcos e Eu, em 1980.

Botando a palavra na roda.


“- Pára com esse tambor, menino!
- Tá bom, papai.
Tá bom, papai.”


Eu e o meu querido e saudoso amigo Marcos Prado ( 1961-1996), durante quase 20 anos de convívio, atravessamos madrugadas e madrugadas descobrindo e nos divertindo com essa linguagem cifrada, cheia de sustos e surpresas, que quem tem um tamborim nos ouvidos pode distinguir em meio à ingênua, ignorante e repetitiva cantilena popular. Não raras vezes, o Walmor Góes, o Trindade e o Edilson Del Grossi estavam lá para animar a festa. Violões afinados, as canções iam surgindo tão natural e prodigamente que, finda a noitada, além das garrafas vazias, cinzeiros entupidos, corpos espalhados sobre sofás e carpetes, sempre havia na mesa dezenas de folhas de papel com as últimas canções, anotações, poemas e algumas loucuras generalizadas que, no dia seguinte, teriam lugar de destaque no lixo que não é lixo.
Orgias poéticas à parte, eu e o Marcos tínhamos ainda outras diversões: leitura e música. Assim fomos lendo e ouvindo tudo que o Brasil e o mundo têm de bom. Lembro que em nossa companhia tínhamos sempre Augusto dos Anjos, Cruz e Sousa, Noel Rosa, Jimi Hendrix, Tom Waitts, Frank Zappa, Maiakóvski, Dante Alighieri, Pixinguinha, Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Adoniram, Lupiscínio, só para citar alguns dos mais assíduos freqüentadores de nossas intermináveis conversas. O assunto mudava muito pouco e estava insistentemente relacionado à precisão, cadência, elegância, adequação e concisão dos termos utilizados nas composições que líamos, ouvíamos ou fazíamos. A bossa do ritmo, a batucada das sílabas, a riqueza e simplicidade da melodia, o inesperado da rima, tudo era deliciado e degustado com os extremos rigores que impúnhamos às nossas tresloucadas análises e composições. Momentos de grande iluminação proporcionados pela riqueza da língua portuguesa e sua capacidade de se fundir na melodia, quando a batuta do poeta tem maestria.
Com Marcos Prado, Roberto Prado, Leminski, Sérgio Viralobos, Solda, Dalton Trevisan, aprendi que, em Curitiba, a palavra é de lei. Letras com poesia de alta tensão, versos a laser/lazer, pulsar rítmico das etnias portuguesa, italiana, polonesa, alemã, ucraína, japonesa, africana. Conversa entre pessoas inteligentes e bem humoradas.
O Marcos Prado estaria fazendo 47 anos hoje. Mas abandonou o barco em 1996. Parece que foi ontem, mas foi há 12 anos. Agora a saudade já não dói tanto. Dói a vida ter ficado menos interessante.

Antonio Thadeu Wojciechowski.
a
a
PS: Quando o Maxixe lançou o filme/CD Bar Babel, escrevi esta apresentação, que reproduzo agora sem o elogio final ao belíssimo trabalho da dupla Rodrigão- Ferreira.
a
a


Catatau x O Livro dos Contrários.
A Luta do Século.


Senhoras e senhores, no canto direito, com 220 páginas e uma das mais altas concentrações de criativas formas de expressão de nossa língua, com muito bom humor, filosofia, religião, bulas de remédio, manual botânico, o dicionário de rimas, as culturas helênica e oriental além de milhares e milhares de trocadilhos, para os aplausos e o carinho de todos vocês o maravilhoso, o intrigante, o genial: Catatauuuuuuuu!!
No canto oposto, com 20 páginas e 14 dos mais belos e originais poemas em língua portuguesa, o livro das antíteses, dos dribles a la garrincha, das rimas inesperadas, dos versos simples, da rarefação, da maestria, criatividade e beleza. Vamos aplaudir o único, o inigualável, o inimitável: O Livro dos Contráriossss!!
A luta está prevista para 3 rounds de 5 minutos e vale tudo. Limão no olho, um ou outro verso esdrúxulo, tacles no pescoço, aliterações em desuso, chutes no saco, metáforas na lata, queimaduras de cigarro, antíteses no fígado, mordidas na orelha, rimas de pé quebrado, aspas na cara e, inclusive, hipérboles nos bagos.
Senhoras e senhores, sem mais prolegômenos e eufemismos, pau!

Primeiro Round.

Os lutadores se cumprimentam no centro do ringue e o que que é isso, meu Deus do Céu? Indescritível. Inenarrável. Indissertável. Meus amigos, o que está acontecendo nesse momento dentro do ringue não tem figura de linguagem que expresse. O Catatau tenta se prevalecer de seu peso, tamanho e volume, um verdadeiro lutador peso pesado de sumô, enquanto o seu adversário faz exatamente o contrário. É um combate de paciência, de estudo e porradaria franca, da boa mesmo. Ciência pura. O público, perplexo, já sofreu uns 15 enxovalhos, dez insultos, 4 descomposturas, 3 esculachos e uma meia dúzia de iluminações. Mas isso não é nada, lá dentro do tablado a coisa está pegando pra valer. Catatau dá um golpe preciso e contundente utilizando o ritmo forte, mas leva de troco uma rimada no meio da fuça, que foi linda de ver. Imediatamente, Catatau se recupera e contra-ataca com uma expressão latina, tonteando o seu oponente. O Livro dos Contrários não se entrega e com um decassílabo perfeito revida à altura, seu adversário acusa o golpe e chega a perder o latim. Mas não desiste e vai na goela. Que luta, meus amigos! Quando soa o gongo, pondo fim ao primeiro assalto. O público tira as mãos da frente dos olhos, aliviado.

Segundo Round.

Soa o gongo. Os dois lutadores se estudam. São dois estilos, duas formas, duas personalidades, complexidade e simplicidade, num combate jamais sonhado pela vã filosofia. Catatau, com o peso da ciência, tenta esmagar seu oponente. É sanguinário, brutal, chocante, parece que O Livro dos Contrários não vai conseguir se defender de tantas referências e citações. É demais para um ser humano. O Catatau bate muito, neste momento, mas também apanha pra valer, fato que o deixa bastante contrariado. O público está dividido, metade não entendeu nada até agora e a outra, muito pelo contrário. Mas a refrega é dantesca, tamanha violência nem em filmes de kung fu chinês. O público vai ao delírio. Adjetivos, dentes, advérbios, sangue, pronomes, cabelos e substantivos se espalham no ringue. O juiz Aurélio neste momento interrompe a luta para retirar os objetos que, direta e indiretamente, estão atrapalhando a porfia. É impressionante, senhoras e senhores, o número de palavrões, expressões chulas, chavões e estrangeirismos que está sendo retirado do tablado. Só para dar uma idéia, tinha até um sujeito oculto no meio do caminho dos garis.
É autorizado o reinício e o pau come solto. Inesperadamente, Catatau troca de assunto e com uma dúvida existencial golpeia, com toda a certeza, o seu contendor. É aberta a contagem, quando soa o gongo, fim do segundo assalto. O público pede água e cervejinha.

Terceiro e último round.

Os dois lutadores se cumprimentam mais uma vez no centro do ringue, o combate vai para os finalmentes. Estudam-se. O momento é de planejar o golpe fatal. O Livro dos Contrários toma a iniciativa e, com temas simples, diretos, obriga o seu adversário a se estender no assunto. Ele, com muita lógica, se utiliza de vários argumentos para atingir, sem piedade, na cabeça, o seu algoz. O público enlouquece, a reação de O Livro dos Contrários é fulminante e instantânea. Com uma frase de efeito, ele reequilibra a luta, que fica do jeito que o diabo aplaude. Que combate! Que disposição! Que loucura! As duas obras são geniais, não dá pra não ler. Os golpes são páginas abertas à imaginação, criatividade e inteligência. Os dois estão engalfinhados, tentam tudo, não param nem para respirar. É o esforço supremo dos vitoriosos. Estão exaustos, totalmente exauridos. Mas o público reconhece o talento, a garra e o amor à poesia dos dois lutadores e aplaude, de pé. Que espetáculo magnífico! Temos agora um só coro, pedindo para que o juiz acabe a luta. É demais, meus amigos, o público invade o ringue e os lutadores são levados em triunfo sobre os ombros da galera. Todos riem, se abraçam, é uma confraternização geral, um momento de amor jamais visto. Alguns, em pranto, demonstram toda a sua emoção, que coisa mais linda! E agora, neste instante, entra no ginásio a Escola de Samba Preto no Branco e, ao rufar dos tambores, todos gritam e pulam. Até o juiz perde o juízo. Afinal, é carnaval.


Antonio Thadeu Wojciechowski


2 momentos geniais de O livros dos Contrários*



um homem extremamente nervoso
encontrou no bar um homem muito calmo
simpático, o calmo foi generoso
e cedeu-lhe um lugar ao seu lado

o nervoso contou a sua vida
com detalhes inimagináveis
entre um e outro gole de bebida
o calmo bebeu doses incontáveis

os dois, abraçados, já cantavam
quando surgiu um terceiro no balcão
tentou falar, mas eles não se acalmavam
tentou brigar, mas veio outra canção

***

o alegre recebeu o triste
certa tarde em seu casebre
o triste pouca coisa disse
o alegre usou de formas breves

ficaram amigos dessa forma
o triste silenciou a amargura
o alegre usou a ternura como norma
entre os dois, a mesa e a noite escura

amanheceu, acabou a noite, o vinho
e, sozinho, ficou o alegre à mesa
enquanto o triste saía sem destino
sem nenhum resquício de tristeza


Momentos mágicos do Catatau**


“Um, na algaravia geral, por nome Tamanduá, esparrama língua no pó de incerto inseto, fica de pé, zarolho de tão perto, cara a cara, ali, aí, esdrúxula num acúmulo e se desfaz eclipsado em formigas.”


“Monos se penteando espelham-se no banho das piranhas, cara quase rosto no quasequase das águas: agulhas fazem boa boca, botam mau olhado anulando-lhes a estampa, símios para sempre.”

“Estamos conversando conversas diferentes sobre o mesmo assunto. Louco por mérito próprio ou por força das circunstâncias? Estamos falando sem medir as conseqüências pelo obscuro gabarito dos antecedentes. Vá em frente, eis o abismo. Cai o eu, a gente fica onde? Dedica um monumento a tudo que está lá ou fica fora de si?”

“Que flecha é aquela no calcanhar daquilo? Pela pena, é persa, pela precisão do tiro, um mestre. Ora, os mestres persas são sempre velhos. E mestre, persa e velho só pode ser Artaxerxes ou um irmão, ou um amigo, ou um discípulo, ou então simplesmente alguém que passava e atirou por despautério num momento gaudério de distração”.




* – Livro de poemas, de Marcos Prado (1962-1997), poeta, curitibano, letrista, jornalista, ator de teatro, agitador cultural, parceiro de um sem número de produtores culturais.

** – Romance polêmico, de Paulo Leminski (1944-1989), poeta, curitibano, faixa preta de judô, professor de história e redação, poliglota convicto, agitador cultural.


sábado, dezembro 13, 2008

Eu
a
Cláudio Fajardo ergue um brinde ao sucesso do evento.

a

Leprevost - ganhou o público e mostrou

porque é um dos grandes novos talentos curitibanos.
a

a

França - canções de dar água na boca.



Ronald e seus Magalhães



Quinta-feira foi um dia daqueles que ficam para sempre na memória. Além de um show espetacular na Biblioteca, onde a platéia foi a grande estrela da noite, a noite se estendeu lá no Start e os diálogos foram impagáveis. Ronald Magalhães, Alexandre França, Leprevost, eu, Octávio Camargo e Bárbara mostramos algumas composições e poemas e o público se divertiu pra valer.
a
a




conversatório


eu ando falando coisas estranhas para
fulano, beltrano, cicrano
o acorde do meu violão não pára
na nota convencional

meu samba já vem como um deus
que balança as cadeiras
e induz a mulata a fazer neném
que um dia vai fazer samba também


(thadeu w e edilson)


Recebi muitas homenagens após o lançamento do Assim Até Eu, mas algumas foram muito marcantes, como as do Wilson Bueno, Ernani Buchmann, Tabajara Ruas, Mário Bortolotto e Guilherme Dias. A do talentosíssimo Wilson foi publicada no jornal O Estado do Paraná. Quem já leu o livro, vai relembrar. Quem não leu, com certeza, vai comprar.




Vida carniceira

ou as artes de Thadeu


Um novo livro de Antonio Thadeu Wojciechowski é sempre um acontecimento. Aos 52 anos, autor, sozinho ou em parceria, de quase vinte títulos, entre poesia e traduções, esse curitibano, senhor de rara inquietação intelectual, acaba de lançar o seu primeiro romance Assim até eu (Lagarto Editores, 105 págs., 2003, thadeudecuritiba@msn.com). O projeto gráfico que dispensa elogios é do sempre impagável Solda.

Está claro que Thadeu Wojciechowski, como é de seu feitio e perfil, jamais estrearia no ultra-explorado gênero do chamado "romance", com um romance no sentido estrito da palavra... Me explico melhor: como já provou através da poesia e das suas mais que transalucinadas traduções, com a sede de "fazer novo", lição poundiana o mais das vezes bem esquecida por nossos pares, Thadeu mostra ainda uma vez, alto e bom som, a que veio.

Numa prosa sem papas na língua, como sem papas na língua, e também sem nenhuma elegância, é a vida de seus torturados e torturantes personagens, oscilando sempre entre morrer afogados num tonel ou com um balaço nos miolos, Thadeu, nos 63 minicapítulos desse intrigante Assim até eu, nos dá as idas e vindas de Sandoval, Beatriz, Glorinha, Lino, Sarrafo, Canabrava, Zito, Paulo Bronha e Carrapato.

Não há aqui propriamente um personagem central, mesmo porque todos contam, e todos são de igual importância, ao mesmo tempo em que, cruel (e dilacerável) paradoxo, tudo se perde numa anonimidade que chega ao leitor feito um soco na cara. A ratatuia miúda como que se dissolve numa obscuridade sem nome nem lei.

O cenário não é o da Curitiba embrulhada em acrílicos e verdes pastos verdejantes, para turista ver, mas aquela outra cidade, por trás desta que os prospectos coloridos alardeiam, a Curitiba do Sítio Cercado e da Fazenda Rio Grande, das "invasões" e das noites sem Deus da Cruz Machado. Ou seria a do bar do Linos, na esquina da Alameda Cabral com Augusto Stellfeld?

A geografia não importa; a Curitiba que se vê em Assim até eu é a metáfora grandiloqüente da miséria humana digna dos grandes decifradores desta cidade muita vez indecifrável do primeiro, e ainda não diluído, Dalton Trevisan, aos racontos de amor e ódio, seja em prosa ou poesia, de Paulo Leminski, passando pela escritura "torniquete-vil" de Valêncio Xavier ou pelo verbo cirúrgico do enorme Jamil Snege.

Inexiste lugar para canduras nesse "romance" constituído, a rigor, não por capítulos, mas por engenhosos microcontos que vão se costurando um ao outro, ao longo do livro, num fecundo diálogo entre si, e que acabam por nos dar a história, ou o colapso final?, de pequenas estórias aparentemente malbaratadas. Eu já disse que Thadeu Wojciechowski dificilmente escreveria um romance que pudesse ser contado por telefone...

Acrescente-se ao inventivo recurso dos textos curtos centralizados nas páginas, as fotos em alto contraste, a maioria exibindo a cara do autor em épocas diversas de sua trajetória pessoal. A concepção gráfica do livro realiza-se em íntima parceria, digamos assim, com a produção dos textos. Gol olímpico de Solda ao "entender", em profundidade, a proliferação bandida das estórias que compõem a história desse livro incomum.

Ah, não esperem requintes ou delicadezas de uma prosa quase grosseira, a expressar, como um murro, a dor que dói nas noites cachorras, nas delegacias infectas da cidade, entre policiais corruptos e a bandidagem drogada e prostituída que faz da Curitiba oculta pelos sete véus da hipocrisia uma Hong Kong chué e maltrapilha.

Polacos e novos polacos, negões e bebuns, fumeiros e trafiques, em apenasmente 105 páginas, não seria exagero dizer que Antonio Thadeu Wojciechowski alcançou escrever, nesse mais que oportuno Assim até eu, uma autêntica odisséia.

Wilson Bueno




que bosta de sábado!
hoje toda essa merda vai andar
a passos de cágado


thadeu w

sexta-feira, dezembro 12, 2008



SATO RI

Poeminhas para meditação.

aa

Ufa, consegui terminar em 13 dias o livro que fiz em homenagem ao meu grande amigo Júlio Sato, que, como meu filho Kevin Kojo Wojciechowski, vive no Japão. Metade do livro, está aqui no blog, metade vcs lêem quando comprarem o livro, que lançarei brevemente.

a
Polaco da Barreirinha

a

a

a



Saboro Nossuco, segundo a lenda, pensa muito e fala pouco. Adepto da ação, deita-se agilmente na rede para praticar e exercitar suas principais aptidões: meditar, descansar, dormir e sonhar. E como carrega pedras enquanto descansa, escreve. É um homem de grandes convicções. Uma delas é que nasceu para receber presentes e oferendas. Por isso está sempre com aquele olhar pedincha à vista de todos. Seus discípulos dizem que chegar em seu templo na Barreirinha de mãos vazias é encrenca na certa. Fora isso, dizem que é um cara normal, quando não está latindo, mordendo, mijando pelos cantos ou uivando pra lua. Na foto tirada por Saboro vê-se o local onde Buda
teve a sua primeira iluminação.


Poeminhas para Meditação


1.


- Mestre, dá para tapar o sol do sofrimento com a peneira da felicidade?
- Não é possível.
- Mas a ilusão às vezes faz bem...
- Não é possível.
- Então devemos crer que viver é sofrer?
- Não é possível.
- Mas se nada disso é viável, a morte é a única saída.
- Não é possível.
- Fiquei confuso, mestre.
- Agora tudo é possível!

Saboro Nossuco


2.


- Mestre, dizem que o senhor vê tudo claramente.
- Quem disse isso?
- Todo mundo.
- Mas nunca saí dessa vila.
- É que sua fama corre pelo mundo.
- E crês que ela tem algo a ver comigo?
- O senhor pergunta o que não sei responder.
- E queres a resposta?
- O senhor quer?
- O que eu faria com ela?
- Mas eu gostaria de saber...
- E o que farias com ela?
- Poderia responder sua pergunta e matar minha curiosidade.
- Puxa, quanta coisa!

Dez anos depois o discípulo retorna com todas as anotações
e respostas que acumulou em suas perambulações pelo mundo
e, no dia seguinte, vai à choupana do mestre.
Mas antes que abrisse a boca, ouviu:
- Muitos desconheciam minha existência;
alguns responderam que sou um impostor;
pouquíssimos, que minha visão é límpida como as águas do céu.
- Exatamente, mestre! Mas como sabes?
- Palpite.
- E sempre acertas?
- Pouquíssimas vezes.
- Não entendo o que dizes.
- Se para ter certeza eu tivesse que esperar 10 anos por cada resposta,
minha vida seria a mais miserável entre as miseráveis.
E quantos, como tu, estariam dispostos a sair pelo mundo para encontrá-la?
- Sou um tolo, mestre! Toda vila já diz isso.
- Nem todos. Muitos desconhecem sua existência;
alguns dizem que és um impostor;
pouquíssimos, que tua visão é límpida como as águas do céu.
Também andei pesquisando, hoje de manhã.


Saboro Nossuco


3.

- O céu é grande, mestre?
- Cala boca, estúpido!
- É ou não é?
- Quanto precisaria medir para ser grande?
- Incontilhões de anos-luz.
- Pra mim, tá de bom tamanho!
- Estás me gozando, mestre?
- Não, tua resposta é boa e divertida.
- Mas é que me faltam palavras adequadas.
- Ah, faça de conta que estás certo.
- E tu concordarias comigo, mestre?
- De vez em quando.
- O senhor hoje está muito relativo.
- Então, volte amanhã.
- Vais pensar melhor sobre o assunto?
- Não consigo.
- E pra que queres que eu volte amanhã?
- Pra me falares sobre o tamanho do céu.
- Não dá pra conversar com o senhor!
- E o que estamos fazendo agora?
- O senhor, com certeza, está brincando
e eu tentando aumentar meus conhecimentos.
- Em quanto queres aumentá-los?
- Muito, muito. Quero ser um mestre!
- Como quem?
- Como tu!
- Como eu? Estás brincando!


Saboro Nossuco


4.

- Como atingiste a iluminação, mestre?
- Não atingi, fui atingido!
- E o que devo fazer para ser atingido?
- Tente atingir!
- Mas não vejo o alvo.
- É porque estás olhando pra mim.

Saboro Nossuco

quinta-feira, dezembro 11, 2008


Dizem as boas e as más línguas que Saboro Nossuco nasceu sabendo, mas segundo o Serviço de Proteção ao Animal, que o acompanha desde o nascimento, isso não é verdade. Saboro aprendeu a ler aos 5 e a falar aos 6 meses. Inglês, francês, japonês, árabe, alemão, espanhol e os 123 dialetos chineses, levou mais duas semanas, fatos que comprovam que realmente ele não nasceu sabendo. Seu professor de física quântica, Dr. Prócton dos Santos Silva, é um dos que afirmam que há um certo exagero quanto à precocidade de Saboro, pois só conseguiu ensinar-lhe a equação da difusão da luz nas estrelas anãs, quando ele praticamente já tinha um ano. “O povo gosta de exagerar e de acreditar em milagres.” Afirmou, à boca pequena. Já seu professor de línguas clássicas, Gerôncio Babelus, foi mais explícito: “Que precoce que nada! Saboro, pra mim, sempre falou grego.”
-



Poeminhas para meditação



1.

- Mestre, a solidão é um bem ou um mal?
- Neste momento, seria um bem.



Saboro Nossuco


2.

- Mestre, por que uma pêra não é uma maçã?
- Pergunte pra ela, idiota.
- Por favor, mestre, esta pergunta é importante para mim!
- É mesmo?
- Muito.
- Então traga-me um suco e algumas frutas.
Pouco tempo depois, Ho Chi Yan chega abarrotado de frutas e uma jarra de suco.
- Eis o que o senhor pediu!
- Muito bom, sirva-me!
Durante horas, Mestre Whu bebe e come as delícias que Ho Chi Yan lhe prepara.
Satisfeito, pede ao discípulo:
- Estende a rede sob a sombra e vai buscar um abanador!
Rapidamente seus pedidos são atendidos.
- Pronto, Mestre, está tudo do jeito que o senhor quer.
O mestre deita-se na rede e pede que Ho Chi Yan o abane. E, minutos depois, adormece.
O discípulo permanece ao seu lado durante horas, até que por ali passa outro mestre, o venerável Hung Li.
- Que estás a fazer? Perguntou a Ho Chi Yan.
- Aguardo o mestre acordar para responder à pergunta que lhe fiz.
- E que pergunta é essa?
- Por que uma pêra não é uma maçã?
- E o que fizeste para merecer a resposta.
- Dei-lhe suco, trouxe-lhe frutas, a rede, descasquei, cortei, servi e agora estou abanando-o enquanto dorme.
- Ficaste feliz com a resposta?
- Aguardo Mestre Whu acordar para ouvi-la.
- Como podes ser tão imbecil?
- Como assim?
- Não vês que Whu já lhe respondeu?
- Não.
- Então também ainda não sabes por que és um discípulo e ele um mestre?
Ho Chi Yan, então, caiu aos pés do venerável mestre, agradecendo.


Saboro Nossuco


3.

- És um estúpido, Lien Po!
- Por que me ofendes, mestre? Eu não lhe fiz nada.
- Exatamente.



Saboro Nossuco



4.


Jesus vivia com fome:
- Tem pão, mãe?
E Maria sempre lhe dava um belo naco.
Jesus pegava e saía correndo que nem louco.
Maria ainda o avisava dos perigos,
mas Jesus nem dava bola.
À noitinha, quando Jesus voltava pra casa,
ela perguntava: - Onde estiveste, filho?
E ele, bocejando: - Por aí, mãe!
E caía duro na cama, dormindo.
De manhãzinha, Maria acordava
e Jesus já tinha se mandado.
Maria punha a mão sobre o coração
e rezava por ele, preocupada.
Um dia, Jesus demorou demais
e ela pediu a José que fosse procurá-lo.
José, meio a contra gosto, foi
e encontrou-o no meio do caminho:
- Tua mãe tá preocupada.
- Por quê?
- Ah, sei lá!
- Ela não entende.
- O que, filho?
- Que meu pai me deu novas atribuições.
- Eu?
- Ah, deixa pra lá, pai!

.

Saboro Nossuco


Dia 11-12-2008 - 19:00 h

HOJEa

APRESENTAÇÃO MUSICAL

aAlexandre França – Anaís Monte Serrat Magalhães - Bárbara Kirchner – Eduardo Mércuri - Ilse de Freitas - Luiz Felipe Leprevost -Octávio Camargo - Ronald Magalhães -Thadeu Wojciechowski

a

ENTRADA GRATUITA

a

a

quarta-feira, dezembro 10, 2008


Marca do Bira para uma coleção de livros que lançamos na década de 90.
a


Dia 10-12-2008

19:00 H - TEATRO

Na verdade não era o sinal de vai tomar…

Com Direção de Nina Rosa Sá, peça de Luiz Felipe Leprevost.
Realização: Os Iconoclastinhas


LEITURA POÉTICA - Poemas: Fernando Montalvão
Interpretação: Mara Mocrosky - Com: Lila Montalvão e Ronald Magalhães - Direção: Fernando Montalvão


Dia 11-12-2008

19:00 h - APRESENTAÇÃO MUSICAL

Alexandre França – Anaís Monte Serrat Magalhães - Bárbara Kirchner – Eduardo Mércuri - Ilse de Freitas - Luiz Felipe Leprevost -Octávio Camargo - Ronald Magalhães -Thadeu Wojciechowski


ENTRADA GRATUITA




canção passada no futuro


engatarei a primeira marcha
e rapidinho sairei acelerando
cruzarei um vulto em meu caminho
e saberei que serás tu

ó glorioso futuro, que um dia
eu terei daqui pra frente
não esquecerei do meu passado
pois tu serás um assunto encerrado



(thadeu w, rodrigo, ferreira e magoo)



Eu e Roberto Prado na noite do lançamento do TAO, O LIVRO.



imaginem se eu tivesse infância


não me venha cobrar pela agressão gratuita
ensinar que é bom, ninguém ensina
depois ficam falando por trás das minhas gracinhas
paródias, deboches, escárnios, sem o menor respeito
entendam de uma vez que esse é o meu jeito

nunca tive dinheiro para comprar um livro
os que roubei eram de um mau gosto incrível
todos diziam que eu não valia o sermão que ouvia
dicas, palpites, orientações, exemplos sadios
meus amigos eram todos uns vadios

saber ler e escrever pra mim já é muito
os bons se acham demais pra perder tempo comigo
pra chegar onde cheguei só eu sei o que engraxei
disso ninguém lembra na hora de exigir qualidade
meu escrito e escarrado é o retrato dessa realidade

subnutrido não aprende nada na escola
a dureza da vida foi minha tese de pós-graduação
quem não teve sapato pra jogar tem que entrar de sola
repetidor, inculto, kitsh, demodê, estilo indefinido
o que vocês tiram dos livros, eu tiro do ouvido

eu guardei na pele toda sorte de humilhações
hoje, quando me querem no picadeiro de letrados
vejo que eu estava até certo ponto errado
abraços, beijos, elogios: dêem pro coitado do porteiro
minha parte da glória eu quero em dinheiro


antonio thadeu wojciechowski e roberto prado






epígrafe pra hoje


ontem perdi mais uma cara
agora já não há o que mascara
os ossos da face em fratura exposta
espelho meu, é meu crânio que me mostra
aquela pele que um dia me vestiu
se desprendeu como um refil
fiquei só, eu e minha carne viva
suportados pela musculatura esquiva
hoje faz tempo que não dou um close
nem vejo quem fui eu em meu próprio pôster
a vida desmaterializou a minha pose
não posso mais ser quem pensei que fosse


(thadeu w, sérgio viralobos, walmor e edilson)

terça-feira, dezembro 09, 2008



Saboro Nossuko começa a escrever aos 3 anos. Dizem que, a princípio, pareciam só garranchos disformes, por isso seus textos estão guardados por sete monges num mosteiro secreto, para que a humanidade tenha tempo de evoluir, as ciências avançarem e finalmente poderem decifrar o seu conteúdo. Enquanto isso, Saboro, saboreia as delícias da Barreirinha, onde vive em seu pequeno, mas confortável templo. Seus adeptos, segundo dizem, diminuem dia-a-dia em quantidade, mas aumentam em qualidade.
Vários de seus discípulos já foram vistos, pelas ruas do bairro na madrugada, bêbados e cantando para a lua. O que, segundo dizem os polacos da região, é um sinal de profunda e reveladora iluminação.

a
a

Poeminhas para meditação
a

a
1.

- Mestre,
o dia-a-dia sempre me emociona.
O sol aceso como uma lâmpada,
o céu a nos servir de tampa,
o vento que a tudo detona.
- É, essas coisas existem!
- Mas o senhor não vê beleza nelas?
- Vejo graça no que dizes!
- Como assim?
- Na inocência de tuas comparações,
na fragilidade de tuas conclusões.
- Mas tenho lido tanto, mestre.
Será que nunca vou aprender?
- Cala boca, idiota!

Duas horas após profundo silêncio,
o mestre retoma:
- O que aprendeste neste tempo?
- Só uma coisa, mestre.
- E que coisa foi essa?
- Não te interessa!
- Estás começando a virar um mestre!


Saboro Nossuco


2.

Certa manhã,
nem bem o sol botou a cara pra fora,
o jovem Buda despertou dentro de um sonho.
A princípio, estranhou não haver mudança.
“Está tudo igual!”
Olhou e conferiu tudo à sua volta.
“Exatamente igual
Não há diferença entre sonho e realidade!”

O velho jardineiro, ao centro,
sorria para as flores que brotavam.
“Por que sorris para elas?”
Perguntou admirado.
“Para que estejam sorrindo quando acordares?”

Meses depois, Buda encontrou
o velho jardineiro e contou-lhe o seu sonho.
“Lembro-me perfeitamente do que lhe disse,
naquele manhã, ó iluminado.”
Disse-lhe sorrindo, o velho serviçal.

E Buda ao olhar para as flores, despertou.




Saboro Nossuco



3.

À noite, diante do céu estrelado:
- Mestre, pra mim, as lágrimas são estrelas da alma.
Em silêncio, o mestre demonstra toda a sua satisfação.
- Obrigado, mestre. Mas por que choras agora?
O mestre nada mais disse, apenas fixou seu olhar no céu,
onde lágrimas e estrelas já não se diferenciavam.



Saboro Nossuco



4.


“Chorando, Hi Fun, ajoelhou-se:
- Mestre, ensina-me a não sentir dor!
Em resposta, levou um chute no peito,
que chegou a levantá-lo do chão.
- Sai daqui, cão sarnento!

Rastejando e com o rabo entre as pernas,
Hi Fun afastou-se, raivoso, do mestre.
Durante meses, incentivou um ódio mortal dentro de si.
- Quem esse idiota pensa que é,
para me tratar como um cão sarnento?

Evitava, a qualquer custo,
todos os possíveis encontros com o mestre,
desviando e esgueirando-se pelos cantos.
Mas, um dia recebeu uma ordem:
- Mestre Khoan Wu deseja vê-lo!

Sem alternativas, foi ao seu encontro.
- Que desejas, mestre Wu?
- Que me ensines a não sentir mais dor!
Envergonhado, Hi Fun foge, chorando
e berrando: - Perdão, mestre, perdão!
a
Todos que estavam a par do entrevero,
cercaram Wu, curiosos e aflitos:
- O que fizeste com ele, Mestre?
- Nada, apenas curei sua dor, seu ódio e
Transformei um cão sarnento num santo.

- Como, Mestre?
- Não me dissestes, há alguns dias,
que o ódio dele por mim era tanto
que ele já não pensava em sua dor?
- Dissemos sim, mestre!

E, aproximando-se, ainda mais curiosos:
- Mas isso não explica a transformação!
Mestre Wu, então, com todo amor no coração,
distribuiu pontapés a torto e a direito.
Assim termina a aula de hoje! "

Pouco tempo depois:
- Mestre Huei, nós nos reunimos,
discutimos e chegamos à conclusão
de que nada entendemos de sua aula.
O senhor poderia nos explicar, por favor?
a
- Estou velho demais para chutá-los pra longe.
Mas meditem um pouco mais.
Se o ódio, que Hi Fun sentia,
o fez esquecer sua dor,
do que ele seria capaz se sentisse amor?

Mestre Wu, ao pedir que ele o ensinasse,
mostrou-lhe o caminho do amor,
da bondade, da compreensão e da humildade.
- É por isso que o templo se chama Khoan Wu?
- Sim e foi Hi Fun quem o construiu.
a
- Mas, Mestre Huei, construir um templo
transforma alguém em santo?
Mestre Huei olha à sua volta
e, em profundo silêncio,
aponta com o dedo o que vê:
a
os entalhes harmoniosos,
os bambus tocando o céu em seu bailado ao vento,
o pátio simples e aconchegante,
a pequena fonte a jorrar continuadamente,
a varanda rústica, forte e iluminada,
as portas quase musicais,
as flores colorindo o jardim
e volta-se para seus discípulos,
que também se voltam para ele,
ajoelhando-se, maravilhados.

Até hoje dizem que o silêncio que se fez
foi tanto mas tanto
que dava para ouvir: Santo! Santo! Santo!


Saboro Nossuco
a
a
a




Dia 33



Hoje é o dia 33 de nenhuma postagem por aqui -
assim, relaxe,
capriche,
despache
e se espiche:

hoje eu quis postar tudo aquilo que despercebi -
quis fazer uma cançãozinha
que fluisse lírica por uma só linha,
mas vazaram essas duas estrofes irregulares -
portanto, sem mais, desovo a velha rima final
antes que o impulso de postar vá pelos ares.
a

a
Ivan Justen



segunda-feira, dezembro 08, 2008


Apesar da pretensão orgulhosa de dominar a natureza, somos ainda assim suas vítimas, porque não aprendemos a nos dominar pessoalmente. Lentamente, mas inelutavelmente, caminhamos para o desastre. Não há mais deuses a quem possamos recorrer. As grandes religiões do mundo sofrem de uma anemia aguda uma vez que as divindades propícias desertaram dos bosques, dos rios, das montanhas, dos animais, enquanto os homens-deuses foram relegados a nosso inconsciente. Vivemos na doce ilusão que eles levam uma vida ignominiosa entre as relíquias do nosso passado. Nossa vida presente é dominada pela deusa Razão, nossa maior e mais trágica ilusão.É graças a ela que “vencemos a natureza”.Mas isso não passa de uma mensagem publicitária, porque esta pretensa vitória sobre a natureza produziu o fenômeno desastroso da superpopulação, sem mencionar nossa incapacidade mental para adotar medidas políticas urgentes e necessárias. Continuamos a admitir como algo natural os conflitos entre os homens, e cada qual procura afirmar, constantemente, sua superioridade sobre os demais. Como se pode falar de vitória sobre a natureza?Como toda mudança deve principiar em alguma parte, é o indivíduo isolado que terá a intuição e que promoverá a transformação. Esta mudança só pode germinar no indivíduo e seu agente pode ser qualquer um de nós. Ninguém pode ficar de braços cruzados, olhando em sua volta, até que um outro realize o que o primeiro não quis fazer. Infelizmente, nenhum de nós sabe exatamente o que fazer: talvez valesse a pena que cada um interrogasse a si mesmo, a fim de descobrir alguma coisa no seu inconsciente que fosse útil a todos. A consciência parece ser incapaz de nos auxiliar. O homem de hoje percebeu dolorosamente que nem suas grandes religiões, nem suas diversas filosofias, fornecem idéias fortes e dinâmicas que lhe dêem a segurança necessária para enfrentar o estado atual do mundo. Eu sei o que diriam os budistas: tudo iria bem se as pessoas seguissem o caminho múltiplo do Dharma (lei) e aprendessem a conhecer verdadeiramente o Si. Os cristãos nos dizem que se as pessoas acreditassem em Deus, o mundo seria melhor. O racionalista afirma que se as pessoas fossem inteligentes e sensatas, todos os problemas seriam solucionados. O trágico é que nenhum racionalista se esforça por que Deus não se comunica mais com eles, como fazia no passado. Quando me fazem esta pergunta, penso sempre naquele rabino a quem indagavam por que motivo Deus não aparecia mais aos homens de hoje. O rabino respondeu: “Hoje não há mais ninguém que seja capaz de se curvar tão baixo”.

a

a

C.G. Jung

(do blog do Gilson que tirou do blog do Foca)

a

a

Rubens K e Renato Q



E daí?

Mas e daí que é o mesmo lugar que eu vou sempre?
Que tem sempre as mesmas pessoas, e daí?
E daí que nós vamos falar as mesmas coisas
e ouvir as mesmas músicas de sempre? E daí?
E daí que vamos dar risada das mesmas besteiras
e que vai ter uma hora que eu vou ficar bêbado
e socar aquele cara...como é mesmo o nome dele?
E daí? E daí que nós vamos rolar escada abaixo
e depois nos abraçar e chorar como criancinhas, e daí?
E daí que eu só vou aparecer em casa de manhãzinha?
E daí? Então me diga: por que é que tenho que pôr
essa maldita roupa e ir pra porra desse jantar
onde eu não conheço ninguém,
não conheço as músicas
e não sei quem eu posso socar?
Por quê?

Rubens K




antes sós

eu aqui
você aí
antes sós que mal acompanhados

eu falei
você falou
e estávamos conversados

pois quando o amor acabou
meu coração pulou fora
eu sei que eu sou como sou
se fico assim vou embora

eu te amei
você me amou

mas nosso futuro passou
agora é tudo passado
agora está tudo acabado


(Thadeu W, Bira e Walmor)


amor sem batucada

chicletes na boca
estourando bolas
a vida é azul
na noite tão louca

inofensivo como eu
um coração apaixonado
só ataca se for incomodado

se o seu samba sou eu
então você não é nada
sua batida atravessou a minha batucada

amor, você foi tudo que eu sonhei, pensei, queria
mas essa noite não chegou aos pés do que podia


(Thadeu W, Bira e Walmor)





A Janela Acesa.


Meu amigo Solda eu eu só temos uma diferença, tantas vezes discutida pelos bares da noite: eu acho o Professor Thimpor o maior humorista brasileiro vivo. Solda, não. Ele acha que é o próprio Professor Thimpor. Como distinguí-los, afinal? Enfim, aqui está, depois de um longo silêncio meditativo, a volta do Professor Thimpor às lides joco-filosóficas, concorrendo em nosso “Essa História Tem Que Acabar”, dando continuidade à “Janela Acesa”. Pelo estilo, Thimpor deve ter andado lendo Joyce ou Lennon, nestes dois últimos recentes anos no seu retiro no Tibet, onde o Dalai Lama costuma recebê-lo com o mesmo calor que Fidel Castro recebe Chico Buarque ou Gabriel Garcia Marques.
Atenção, revisores, aí vem o Solda, com tudo!


Paulo Leminski
a

a

a
Um Tarado no Tablado.

a
(à maneira de um famoço musgo inglês assassinalado nos Estalos Uníssonos, num ano não muito pródigo em dezembros)

A janela acesa despintava no peitoril sinequanon. Eustáquio Teustáquio procurava um empalhador de palavras.
Eustáquio Teustáquio, sabem como é, o Nossostáquio, estava parafernaliando entre as postetutas da Rua Chuelo, aquela infestada de Mariaposas. Nostácio não andava bem do patíbulo e enroscava o balaustre nas pérgulas do pároco. Parábolas mirabolantes lhe atravessavam o mirante desabotoado, empinando coitos nas páginas amarelecidas dos Alfa Rábius.
Não cabendo em si, entrol no barboteco e pediu dois dedos de cedilhas, ao alegrete.
O barçom estranhou o trigode que escondia metade do resto de Nostácius, mas acabou servindo o pratinho feio de cedilhas, das importadas, aos solavancos e solevantes.
- Por Tutatis! Barbituricou Bosstácius.
- Por Tutatis Homeopáticus!
Estas cedilhas cedilham esôfago abaixo saltitontas, como nas fábulas fantastibulosas de toldos os ambrosebierces e millôres da riodondeza!
Restros de luz enbelheciam o barboteco àquela hera da madrugadália. Foi quando entrol Heptandria, num vestido e havido como gerúndio, embora a desconfiança fosse geral do galvão ferraz, impávido na montanha de Fócida - dessas consagradas a Apolo, Parnaso, se me entendem - repartindo o cabelo entre o paroxismo e a rubrica mal desenvolvida.
Heptandria brilhava de posméticos e ledosivos. Saiu de trás do biombro e salcudiu o açúlcaro, como se pretendesse emporcalhar o chafé soçaite. Teustáquio abalroou uma mariaposa e desferiu-lhe o supersério, acenando-lhe bipétalo. A mariaposa, rubirosa, chamou dois esmagas que faziam a renda da rendondeza e correu para os braços de Morfeltro. Formou-se a Confuciozão. Heptandria fugiu para o bardel e truncou-se em ásdecopas, dando uma de joão-de-bruços. Uma cirene argentina desatou em marlombrandos, dos magros. E vieram as leziras e os lamarões de água parada e decomposta ao sol. Tonto, embora zorro e lúcido, Nostácius estendeu todos os tentáculos e desceu a Rua Chuelo e seguiu os padrões geraes da leiteratura brazilianista actual. Um empulhador de próstatas passava pelo logar - minto muito pra não dizer palavrório e para não dizer nada - e seguiu Nosvócius pelas imperícias guindadas às bagatelas empasteladas de genialidade, entre veraneios líquidos irresponsáveis, fórmulas escravizadas, campos de estrobérri, nevralgias retrospectivas e demais desemlapeamentos.
Enquanto isso, num bardelima, dois hímens passam em revista as contradicções empostadas, os impasses, as artimanhãs do poder, a exportação do polvo e a injustiça na Nica D’água.
Teustáquius passa numa biga. É o altista, criador de coisas belas, a antena da raça, a porcelândia chinesa, a madre tertúlia lutando contra a mesmice das Ruas Chuelos da Cruelritiba. Artychewski foi jogado na arehiena e devorado pelos leomansos paranistas.
A jaunela acesa depintava no peitoril sinedie
Sóbrio, quem nos entenderemos?

Solda, o famoso Prof. Thimpor

a


a



AJUDEM A DIVULGAR



Dia 09-12-2008


19:00 h - Monólogo: AS NOIVAS

Com: Helena Portela - Autor: Alexandre França - Direção: Verônica Rodrigues

19:45 h - LEITURA DO POEMA SOREX E MINUSTAH
de Paulo Bearzotti - Por: Paulo Ugolini

Dia 10-12-2008

19:00 H - TEATRO

Na verdade não era o sinal de vai tomar…

Com Direção de Nina Rosa Sá, peça de Luiz Felipe Leprevost.
Realização: Os Iconoclastinhas

LEITURA POÉTICA - Poemas: Fernando Montalvão
Interpretação: Mara Mocrosky - Com: Lila Montalvão e Ronald Magalhães - Direção: Fernando Montalvão

Dia 11-12-2008

19:00 h - APRESENTAÇÃO MUSICAL

Alexandre França – Anaís Monte Serrat Magalhães - Bárbara Kirchner – Eduardo Mércuri - Ilse de Freitas - Luiz Felipe Leprevost -Octávio Camargo - Ronald Magalhães -Thadeu Wojciechowski


ENTRADA GRATUITA